Três quartos da energia mundial podem ser renováveis em 2050

As energias renováveis poderão garantir até três quartos do abastecimento energético mundial em 2050, segundo os cenários mais favoráveis de um relatório divulgado hoje pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).

Numa avaliação da literatura científica disponível até agora, o painel da ONU avisa, porém, que são necessárias mudanças no sistema energético para que seja aproveitado o potencial de opções renováveis, como parques eólicos, painéis solares, biomassa ou barragens.

Actualmente, as renováveis respondem por 12,9% da energia consumida no mundo. A maior parte desta fatia (60 por cento) corresponde ao uso de lenha e outras formas de biomassa nos países em desenvolvimento.

O IPCC reviu 164 cenários sobre como pode evoluir a repartição do consumo energético mundial e concluiu que mais da metade aponta para um aumento da contribuição das renováveis para 17 por cento em 2030 e 27 por cento em 2050. Os cenários mais favoráveis empurram as renováveis para 77 por cento do consumo mundial dentro de quatro décadas.

O caminho até lá, porém, não é automático. O custo de muitas das tecnologias renováveis permanece acima dos preços da energia, “embora em várias circunstâncias as energias renováveis já sejam economicamente competitivas”, diz o IPCC, na síntese do seu relatório, aprovado ontem numa reunião com representantes científicos e governamentais, em Abu Dhabi.

As renováveis, sustenta o painel científico da ONU, têm um “potencial técnico” bem maior do que a procura de energia. Ou seja, teoricamente seriam suficientes para as necessidades energéticas globais. Mas será preciso investir em infraestruturas e adoptar políticas apropriadas para que este potencial seja aproveitado. Os custos de tais investimentos são estimados pelo IPCC em um por cento do PIB mundial.

Ao salientar o papel das renováveis, em oposição a combustíveis poluentes, como o petróleo e o carvão, o relatório do IPCC foi saudado por ambientalistas, que alertaram, no entanto, para uma alegada suavização da linguagem da síntese ontem aprovada, por imposição dos países produtores de petróleo. “Todos os tipos de ‘poderão’ ou ‘deverão’ foram introduzidos”, disse Jean-Philippe Denruyter, dirigente da organização ambientalista WWF, citado pela agência Reuters. “Mas não é um grande problema. Estamos muito satisfeitos quanto ao resultado”.

fonte:http://ecosfera.publico.clix.pt

publicado por adm às 22:37 | comentar | favorito