Cabo Verde produzirá 50% de energia a partir de fontes renováveis

Cabo Verde pretende garantir até 2020 a produção de 50% da energia consumida no arquipélago a partir de fontes renováveis e reduzir os custos energéticos atuais em cerca de 20%.

O programa faz parte de um Plano de Ação avaliado em 300 milhões de euros apresentado sexta-feira pelo Governo.

O Plano é baseado num estudo técnico que demonstra ser possível atingir esta meta porque “Cabo Verde tem um potencial de mais de 2.600 megawatts (MW) de energias renováveis”. Deste potencial, já foram estudados, até agora, mais de 650 MW em projetos concretos com custos de produção inferiores aos dos combustíveis fósseis.

O programa de ação para a implementação deste projeto assenta em cinco eixos principais: preparação das infraestruturas, garantia do financiamento, envolvimento do setor privado, implementação dos projetos, maximização da eficiência e lançamento do cluster das energias renováveis.

O estudo refere que, para a instalação até 2020, de mais de 140 MW de energia renovável o investimento ronda 300 milhões de euros e permitirá a criação de mais de 800 postos de trabalho diretos e indiretos e “atingir custos de geração de energia 20 por cento inferiores aos atuais”.

O plano refere também que o país poupará cerca de 37 milhões de euros em importações de combustíveis, o equivalente a cerca de 75 milhões de litros de fuel óleo ou gasóleo, além de reduzir substancialmente as emissões de dióxido de carbono.

No âmbito deste plano, os primeiros quatro parques eólicos, em fase de construção, vão entrar em funcionamento até ao final deste ano, aumentando a produção de energia eólica para 28 megawatts, permitindo uma poupança anual de 12 milhões de euros em combustível.

A montagem dos parques está a ser feita pela empresa Cabeólica, que resultou de uma parceria público-privada entre o Governo de Cabo Verde, a Empresa Nacional de Eletricidade e Águas (Electra) e a InfraCo, entidade empresarial de doadores internacionais, incluindo o Banco Mundial (BM).

Este projeto, orçado em 65 milhões de euros, prevê a instalação de uma potência de 28 megawatts, repartidos pelas centrais eólicas das ilhas de Santiago (10 MW), Sal (8 MW), São Vicente (6 MW) e Boavista (4 MW).

A produção de energia eólica vai permitir ao arquipélago ter uma taxa de penetração de energias renováveis de cerca de 25 por cento, o que contribuirá para a redução da dependência do país relativamente aos produtos petrolíferos.

Com os parques eólicos, vai evitar-se a emissão anual de mais de 12 mil toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera, o que permite também avaliar a possibilidade de Cabo Verde vender créditos a países terceiros.

Entretanto, os dois primeiros grandes projetos na área das energias renováveis em Cabo Verde, as centrais fotovoltaícas do Sal e da Praia, estão em funcionamento desde os finais do ano passado.

As duas centrais, tidas como as maiores centrais africanas em funcionamento, asseguram a produção de cerca de 4 porcento da eletricidade total produzida em todo o arquipélago e evitam a emissão anual de 13 mil toneladas de dióxido de carbono.

fonte:http://www.africa21digital.com/

publicado por adm às 21:00 | comentar | favorito