Futuro das centrais mini-hídricas está ensombrado

O Governo está a rever a política energética de apoio às renováveis por imposição da ‘troika’.

O futuro do negócio das mini-hídricas vive actualmente ensombrado, à semelhança do que acontece com as restantes energias renováveis.

Com a imposição por parte da ‘troika', no âmbito do plano de ajuda financeira externa a Portugal, de cortes aos subsídios concedidos às energias verdes, o Governo está actualmente a redefinir a estratégia para o sector. O objectivo é reduzir o seu impacto nas tarifas pagas pelos consumidores finais e no agravamento do défice tarifário, numa altura em que os preços da electricidade vão deixar de ser regulados a partir de 1 de Janeiro do próximo ano. Medidas que têm, para já, um alvo identificado: a energia eólica. Mas há convicção assente no sector que poderá ser extensível aos restantes segmentos.

Inquestionável é segundo Eira Leitão, membro da APREN, entidade que representa as empresas de energias renováveis, o contributo das mini-hídricas para a redução da dependência exterior de matérias-primas de origem fóssil, assim com o seu peso reduzido no portefólio das energias renováveis.

Dos 1.120 megawatts (MW) de potencial identificados em Portugal, Eira Leitão refere que apenas um terço, cerca de 410 MW, estão em operação.

A incerteza reinante neste negócio, que abrange todas as pequenas centrais com potências instaladas inferiores a 10 MVA, abrange ainda as concessões atribuídas no concurso público lançado pelo anterior Governo.

A venda de 12 lotes rendeu então aos cofres públicos cerca de 30 milhões de euros. Um valor que ficou muito aquém das estimativas iniciais do Executivo que apontavam para um encaixe potencial de 100 milhões de euros.

Montado em escassas semanas, sob supervisão do Ministério do Ambiente, com o objectivo de privilegiar o encaixe financeiro, o concurso foi alvo de crítica por parte de alguns dos principais operadores do sector energético que lhe apontaram problemas de natureza técnica.

O resultado ficou à vista. Dos 19 lotes colocados no mercado, sete lotes, correspondentes a 46 MW, acabariam por ficar desertos.

Uma das críticas apontadas ao concurso pelo presidente da APREN, António Sá da Costa, reside no facto de entre os vencedores não se encontra nenhuma das empresas que actuam no sector energético.

O concurso das mini-hídricas totalizava 128 MW de potência entre as zonas Centro, Norte e Tejo.

 

fonte:http://economico.sapo.pt/

publicado por adm às 22:52 | comentar | favorito