Plano Nacional de Barragens reduzido a seis projectos

O investimento ronda os dois mil milhões de euros.

O Plano Nacional de Barragens, uma das principais bandeiras da política energética do Governo socialista de José Sócrates, representando um investimento na ordem dos dois mil milhões de euros, está hoje reduzido a seis projectos.

Do pacote inicial de dez centrais, que foi objecto de concurso público, duas acabaram por não conseguir atrair quaisquer investidores, ao passo que as restantes acabariam por cair à posteriori. Foi o caso da Iberdrola, que viu uma, das quatro barragens que ganhou, ser chumbada por questões ambientais, tendo a EDP anunciado mais recentemente a suspensão da construção do empreendimento do Alvito.

Apesar destes ajustamentos, o impacto do Plano Nacional de Barragens na economia é inquestionável. Este é, aliás, um dos pouco negócios que ainda consegue dinamizar o sector da construção em Portugal, criando, em média, cerca de mil postos de trabalho directos por ano, por central.

Em especial, se considerarmos também os reforços de potência de algumas centrais e a construção de outros empreendimentos que a EDP está a levar a cabo, os quais se encontram fora do raio de acção do Plano Nacional de Barragens. Nestes estão já comprometidos 1.100 milhões de euros, a que se juntarão mais 300 milhões com Fridão.

O valor global dos investimentos totalmente privados, em curso ou a realizar, eleva-se assim para cinco mil milhões de euros, sendo as contrapartidas já dadas ao Estado superiores a 1.500 milhões de euros.

Estes projectos não beneficiam de quaisquer financiamentos do Estado, nem de Fundos Comunitários. O mesmo promete não acontecer por parte do sistema eléctrico nacional. O mesmo é dizer por parte dos consumidores. É o caso da garantia de potência, um incentivo financeiro dado às centrais para que estejam sempre disponíveis para entrar em operação, compensando a intermitência das energias renováveis. Embora no Plano Nacional de Barragens e nos contratos assinados com o Estado não tenha ficado nenhum compromisso de atribuir qualquer subsídio, nem qualquer incentivo à garantia de potência, há a expectativa por parte dos operadores que tal venha a acontecer, em resultado da política energética em vigor.

Apesar da ‘troika' impor um corte às rendas excessivas e sobrecustos no sector energético, o Governo de Passos Coelho já veio dizer que está a pensar manter a garantia de potência apenas para os projectos posteriores a 2007.

A energia produzida directamente pelos aproveitamentos inseridos no Plano Nacional de Barragens evitará, segundo dados governamentais, a importação de 3,3 mil milhões de barris de petróleo por ano.

 

fonte:http://economico.sapo.pt/n

publicado por adm às 22:53 | comentar | favorito
tags: