Centrais de biomassa de José Sócrates estão paradas

A aposta do Governo de José Sócrates nas energias renováveis incluía a construção de 11 centrais de biomassa, que iriam gerar investimentos de cerca de 360 milhões de euros e criar perto de 2.500 postos de trabalho efetivos.

Contudo, apesar de todas terem sido adjudicadas, apenas duas foram concluídas, disse ao Dinheiro Vivo, o presidente da Associação Portuguesa dos Produtores de Energia e Biomassa (APEB), Carlos Alegria.

De acordo com este responsável, as outras nove unidades atribuídas não conseguiram até agora arranjar financiamento e algumas das empresas já chegaram a desistir dos projetos.

A Fomentinvest, de Ângelo Correia, antigo patrão do primeiro ministro, é uma delas. A empresa ganhou duas centrais, vendeu uma e quer vender a outra porque já perdeu o interesse na obra, apurou o Dinheiro Vivo.

Das outras empresas que ganharam os concursos e não avançaram com as obras destacam-se a Águas de Portugal ou a Nutroton, empresa que até ao final do ano passado era gerida por Marques Mendes.

Segundo Carlos Alegria, o problema tem sido o financiamento. “A banca não empresta dinheiro porque não há garantia de fornecimento de biomassa, enquanto que numa barragem há sempre água e numa eólica há sempre vento”, explicou.

No entanto, neste momento, conta o presidente da APEB, “há matéria-prima a mais porque não há centrais que cheguem para a processar. Tenho biomassa para três meses na minha central”.

Além disso, diz ainda Carlos Alegria, a tarifa a que o Estado paga a eletricidade produzida nas centrais “é muito baixa” para as exigências financeiras de uma central.

“Somos os únicos que temos de pagar a matéria-prima, temos custos de manutenção elevadíssimos e empregamos, pelo menos, 20 pessoas permanentemente. Um parque eólico não precisa de funcionários, pode ser monitorizado à distancia”, considerou.

A tarifa fixada no Governo anterior ronda os 107 euros por MWh de energia produzida, menos 20% que em Espanha e menos 40% que em Itália, diz Carlos Alegria.

“Por isso é que os resíduos florestais que são recolhidos em Portugal são vendidos às centrais italianas, porque eles podem pagar melhor”, contou o mesmo responsável. Actualmente, por uma tonelada de raízes pagam-se 15 euros, mas se estiveram já cortadas e limpas, sobe para 30 euros. Se forem ramos pequenos (menos de sete centímetros) então paga-se cerca de 33 euros, o valor mais alto que se paga.

Governo quer baixar tarifa
Para a APEB, a tarifa paga é reduzida, mas pode ainda ficar ainda mais baixa agora que o Governo quer cortar as chamadas “rendas excessivas” no âmbito do acordo com a troika.

Tal como todos os outros tipos de renováveis, também a biomassa se inclui no pacote de 2,3 mil milhões de euros de custos políticos que as empresas vão ganhar só este ano em tarifas e subsídios.

No entanto, a fatia a que corresponde a biomassa é muito pequena, apenas 54,9 milhões de euros, quando comparada, por exemplo, com a das eólicas, que é 537.7 milhões. 

fonte:http://www.dinheirovivo.pt/

publicado por adm às 23:06 | comentar | favorito