Biomassa: a esperança no sector das renováveis

Colocado em consulta pública há uma semana, as linhas estratégicas para a revisão do Plano Nacional de Acção para as Energias Renováveis confirma o forte golpe numa política de energias renováveis levada a cabo pelo anterior executivo. Se é verdade, no entanto, que os novos investimentos em renováveis foram suspensos, a biomassa surge neste cenário como o segmento menos prejudicado.

As novas linhas de orientação do governo apontam para a promoção na produção de biocombustíveis e o incentivo às culturas energéticas. Mesmo assim, também neste sector as metas para 2020 foram revistas, de um mínimo de 250 MW instalados para 200 MW. Partindo dos 117 MW instalados em 2011, segundo as contas da tutela, o máximo de 200 MW deve ser alcançado em 2016, não existindo expectativas de aumentar este valor até 2020 (ano do horizonte no PNAER).

Nos cenários apresentados no Plano de Acção, a biomassa representará uma fatia de sete por cento na repartição da produção eléctrica de fonte renovável daqui a oito anos. As estimativas apontam ainda para que as fontes de energia renováveis sejam responsáveis por 58 por cento do total da produção de electricidade nacional. À semelhança dos restantes sectores das renováveis, quaisquer novos investimentos em biomassa serão suspensos até 2014.

Segundo dados da Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), a biomassa (com e sem co-geração) representa actualmente cerca de 12 por cento da energia eléctrica produzida através de renováveis. A informação,  divulgada a 25 de Maio deste ano, reforça o peso da biomassa como terceiro sector com maior produção bruta dentro das fontes renováveis, apenas ultrapassada pela hídrica e eólica.

O mesmo documento da DGEG apresenta ainda a percentagem de uso de biomassa (e biogás) na comparação entre países da OCDE, no ano de 2010. Na altura, a produção nacional estava em oito por cento, acima da Espanha (4,1 por cento), mas muito abaixo de países como a Bélgica (62,8), Reino Unido (46,3) ou Finlândia (45).

Em paralelo com a aposta assumida do governo na biomassa, também o parlamento já se pronunciou sobre o sector. A 9 de Maio foi publicado em Diário da República uma resolução da Assembleia da República que recomenda um conjunto de medidas que «promovam a utilização e valorização da biomassa florestal como contributo para a gestão sustentável das florestas e como prevenção da ocorrência de incêndios florestais».

A reavaliação da estratégia para o aproveitamento da biomassa surge entre as medidas apontadas. O parlamento quer, especificamente, que sejam definidas medidas e respectivas «métricas económico-financeiras da sua implementação», para sustentação das medidas que se justifiquem concretizar.

fonte:http://www.ambienteonline.pt/

publicado por adm às 23:29 | comentar | favorito