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Abr 12

Plano para Barragens evita importação de 3,3 mil milhões de petróleo

A actual rede hidroeléctrica explora 50% do potencial hídrico de Portugal.

A energia produzida através do Plano Nacional de Barragens (PNB), e de acordo com dados do executivo, evitará a importação de 3,3 mil milhões de barris de petróleo por ano. Além disso, com este plano, Portugal passa a ter um aproveitamento hídrico de 75%. Mesmo assim, muito longe do que seria ideal e das nossas potencialidades. Fonte oficial da EDP disse ao Diário Económico que "o nosso país é dentro da UE um dos países com maior potencial de desenvolvimento hídrico ainda não aproveitado". Daí que a eléctrica acredite que "a construção destes novos empreendimentos pode ser entendido como a conclusão de um trabalho de casa que os nossos parceiros da União já realizaram anteriormente".

A actual rede hidroeléctrica explora 50% do potencial hídrico de Portugal, cerca de 5000 MW de potência, mas a capacidade produtiva nacional através desta fonte renovável é bem maior. A nova Estratégia Nacional de Energia definiu como prioridade atingir os 8.625 MW de potência instalada, até 2020, o que pode elevar para 40% a energia de origem hídrica.

Para esta crescente importância da produção de energia eléctrica através da água, muito vai contribuir o Plano Nacional de Barragens. O PNB foi apresentado pelo Governo de José Sócrates como uma das principais bandeiras políticas energéticas, tendo no seu pacote inicial, dez centrais, todas objecto de concurso público. Porém, duas acabaram por não conseguir atrair investidores, sendo que as restantes caíram por questões ambientais. Um dos casos foi uma barragem ganha pela Iberdrola, e mais recentemente, o empreendimento do Alvito, que estava nas mãos da EDP.

Aliás, a eléctrica nacional é praticamente o único produtor hídrico no país, à excepção de alguns projectos de mini-hídricas e o caso da barragem da Aguiera, gerida pela Iberdrola, empresa espanhola que irá entretanto reforçar o seu peso, uma vez que terá a cargo, em conjunto com a Endesa, a gestão de outras barragens, do PNB, plano esse que, apesar de estar reduzido a seis projectos, continua a ser o grande motor da energia hídrica em Portugal e do próprio sector da construção, criando, em média, cerca de mil postos de trabalho directos por ano, por central.

Actualmente estão a ser feitos novos aproveitamentos em Baixo Sabor, Ribeiradio-Ermida e Foz Tua e reforços de potência em Picote II, Bemposta II, Alqueva II, Venda Nova III e Salamonde II, sendo que "a potência instalada é da ordem de 2140 MW", informa fonte oficial da EDP, que adianta que o investimento global ascende a cerca de 3,28 mil milhões de euros. Se considerarmos apenas o conjunto das que já se encontram em construção ou que entraram em exploração em Dezembro 2011 (Picote e Bemposta),"esse valor ronda 1,97 mil milhões de euros", diz a mesma fonte que esclarece que as centrais de Bemposta e Picote "irão poupar em termos anualizados cerca de 35 milhões de euros de combustíveis diminuindo assim não só a nossa dependência energética como irão contribuir positivamente para a nossa balança de transacções com o exterior".

De referir ainda que os centros electroprodutores hidroeléctricos da EDP actualmente em construção ou em fase de estudo/licenciamento, "representam uma potência instalada da ordem de 3540 MW", informa a empresa que antevê ver tudo a funcionar "num horizonte dos próximos dez anos".

Mini-hídricas atraem atenções de outras empresas do sector
A actuar no segmento das pequenas centrais hídricas, ou seja, menos de 10 MW, o grupo Generg tem actualmente um portfólio produtivo de 33,2 MW de capacidade instalada, sendo que em 2011, o volume de negócios neste sector representou 6% da facturação total do grupo. Álvaro Brandão Pinto, administrador-delegado do grupo afirma que a produção hidroeléctrica o ano passado "pese embora a alta disponibilidade do portfolio, atingiu apenas 87% do esperado, situando-se em cerca de 74,3 GWh, muito inferior à do ano civil anterior". O responsável informa que este valor representou cerca de 7% da produção total do Grupo Generg em 2011".

Também o Grupo Mota-Engil está de olhos postos no sector das energias renováveis, estando interessada em entrar no negócio das grandes barragens e da mini-hídricas dentro e fora de Portugal. As empresas DTS e Energy Top actuam também neste segmento.

 

fonte:http://economico.sapo.pt/

publicado por adm às 23:21 | comentar | favorito
07
Ago 10

Qual é a maior barragem hidrelétrica do mundo?

No dia 20 de maio de 2006, o governo chinês finalmente conclui uma obra iniciada em 1993 e saiu propagandeando pelos quatro cantos do mundo: a Usina de Três Gargantas, instalada no Rio Yang-Tsé (Rio Azul) é a maior do mundo. Essa declaração bateu fundo nos nacionalistas mais exaltados, tanto aqui no Brasil como no Paraguai, já que até então este título pertencia à Itaipu Binacional, localizada no Rio Paraná, orgulho nacional. Desde a inauguração da usina chinesa, começou a discussão: de uma vez por todas, qual é a maior usina?

 

A resposta é: depende do critério. Para começar, se levarmos a palavra “maior” ao pé da letra, o título ainda pertence à Itaipu. Somados os comprimentos de todas as barragens, nossa usina tem 7.700m de comprimento (o equivalente ao comprimento de 77 campos de futebol), e 196m de altura (algo da altura de um prédio com cerca de 60 andares). A Três Gargantas, por sua vez, é praticamente da mesma altura (192m), embora também tenha lá mais de 50 andares, mas tem menos da metade da largura, “apenas” 2.300m.

 

É claro que não seria sensato chamá-la de maior pelo sentido literal, o que importa é o quanto se gera de energia. Mais uma vez, no entanto, caímos em uma dificuldade. Se considerarmos a capacidade máxima momentânea (o máximo de energia que se pode gerar em energia ao mesmo tempo), a Três Gargantas é mesmo a maior. Atualmente, a geração instantânea da usina chinesa, com suas 32 turbinas, é de 22.500 MW (Mega Watts). A Itaipu, por sua vez, conta com 20 turbinas, que totalizam uma capacidade instantânea de 14.000 MW.

 

Contudo, a geração anual das duas é bem parelha. Até ano passado, a Itaipu superava a Três Gargantas, mas em 2009 a usina chinesa produziu 100 TWh (Terawatt/hora, que é um milhão de Megawatts), suficiente para suprir toda a energia anual, por exemplo, da Holanda, um quarto do que necessita o Brasil, e 3% do que consome a China. A Itaipu está um pouco abaixo: 91,6 TWh, mas isso dá para facilmente suprir 90% do Paraguai e ainda sobra para vender, é uma grande fonte de renda do país. Para o Brasil, representa 20% da energia consumida.

 

Assim, pesando os fatores, pode-se dizer que realmente a usina de Três Gargantas é a maior de fato. Já é a maior, inclusive, nas críticas contra o projeto. Por vários motivos. O primeiro é histórico: engenheiros já previam uma obra semelhante no rio Yang-Tsé desde 1919, mas a Revolução Cultural que se seguiu à Segunda Guerra Mundial atrasou o projeto, enquanto grande parte da população vivia sem eletricidade. Apenas em 1992 as obras começaram a sair do papel, e a construção real se iniciou em 1993 para ser concluída treze anos depois.

Os ambientalistas também reclamam: a criação da barragem e do reservatório de água acabou inundando cidades, fazendas e sítios históricos. Mais de 1,13 milhões de pessoas tiveram de ser transferidas de suas casas, que ficaram embaixo d’água, e uma parte dessa população ainda não tem moradia fixa, quatro anos depois. Mas a relocação de moradores, que custou 24 milhões de dólares (cerca de 42 milhões de reais na conversão atual) aos cofres chineses, não é o único problema. Geólogos afirmam que a vazão ampliada do rio Yang-Tsé está corroendo suas margens, o que pode vir a causar uma catástrofe ambiental no futuro.

 

A favor da usina, argumenta-se que ela finalmente irá acabar com o histórico problema de carência de energia na China e trazer progresso às regiões que dela se beneficiam. E apontam para o benefício ecológico de Três Gargantas: sua barragem evita que haja enchentes. De fato, em 1998, quando ainda não havia a usina, uma enchente do Yang-Tsé custou a vida de 4000 pessoas que moravam em comunidades próximas. E essa enchente foi de apenas 20.000 metros cúbicos de água. Em 2010, quando houve uma temporada de tufões na região, a barragem aguentou a vazão de 70.000 metros cúbicos, e o Rio Azul não transbordou.

Fonte:[Life's Little Mysteries]

publicado por adm às 22:56 | comentar | favorito
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